30.10.03
PARATODOS
(resposta aos coments do post anterior)
Rê, eu me lembro de você me falar desse filme sim. Será que eu já ví? Disso é que eu não me lembro. Vou locar ele hoje (e se já ví, vejo de novo), junto com o Matrix Reloaded que eu não ví ainda e preciso ver pra ver o Revolutions.
Meu fã, achei você do caralho! Não sei porquê, hehehe..., mas que nada, valeu pela força e pelas coisas que disse sobre arte, sobre o artista, sobre expressão, sobre a minha expressão, sobre a matemática (inclusive, sobre isto, uma vez fiquei feliz da vida quando alguém me disse que a matemática não é sempre exata e que 1+1 não é necessariamente 2). Aliás, penso que sei quem você é pelo fato de saber o que já fiz com o MEU cabelo.Você e minha Maia têm razão quando dizem que a exigência de " ser genial" é minha, e é mesmo. Só que não é gratuita - ela tem alguma razão de ser psicológica e social (lá vou eu viajar na maionese), eu não sou, de todo, uma degenerada. Como diz a Renata: "nada que 10 anos de terapia não resolvam".
Eu tou mesmo procurando meios de aprender a tratar cabelos e tentarei fazê-lo da forma mais poética possível. Vou querer umas cobaias pra praticar e o Moreno, que já se manifestou como habilitado, já tá dentro dos meus planos capilares. Pra não ofender muito, posso começar com o básico, hein. Lavar cabelos, ao menos, é uma coisa que sei fazer bem e sempre se pode aperfeiçoar uma técnica.
Maiza, querida, tudo o que você fala para mim é motivo de bastante atenção. Sempre levo em consideração o que você diz. De alguma forma, eu sentí seus primeiros comentários como um belo de um esbregue e fiquei pianinho, "escutando". Depois fui raciocinar um cadiquim pra processar o manifesto de repúdio à minha "auto-depreciação", o que já tá respondido lá nos comentários. E resmungar é algo como uma tradição familiar da gente, certo? (não pensem que a nossa é uma chata ou triste família por isso, pois estarão enganados, ao menos ela não é apenas uma chata ou triste família, ela é também uma família muito divertida e interessante - Renatinha sabe e já faz parte). Mÿa, já disse que te amo hoje?
Ô, João, sua visita é motivo de muito contentamento! Quanto aos questionamentos "costumeiros" da humanidade: mesmo que eles sejam uma constante, penso que de certa forma, algumas pessoas comungam de momentos e reflexões, como se estivessem conectados, ou numa mesma freqüência (lá venho eu com as freqüências - a Death que o diga), por coincidência ou não (isso não tem importância). Legal também você ter ido lá no nosso Cabaré - será sempre bem-vindo! Quanto à sua doce cabeleireira tia, não sei o que dizer, só que simpatizei com ela, e não gratuitamente, afinal ela é doce, cabeleireira, e sua tia, que lhe trás bons sentimentos, pelo visto.
Aê, Majarti, põe mais daquelas comédias lá, que eu fico amarradona e rio pacas!
Mariah, é estranho, muito estranho, mas, como diz caetoso velano em uma música: "de perto ninguém é normal". Quanto à confusão, "fui eu quem fiz, fui euuuuu" com esse texto sem critério e trabalho, é que ele foi meio catártico, se é que isso se escreve dessa maneira e significa o que eu quis dizer.
Uma tonelada de beijos pra todos vocês!
Postado por Babe Lavenère Bastos
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28.10.03
De acordo com minhas possibilidades eu faço o que posso (pleonasmo da pôrra...). Mas exijo muito de mim.
Se eu fosse mais inteligente eu seria uma filósofa ou uma física. Se eu fosse mais inteligente, por exemplo, esteticamente, eu seria uma puta artista, escritora, pintora, poeta, qualquer um. Essas coisas verdadeiramente me fascinam. Mas, sei lá, minha resistência especulativa e criadora é meio fraca. Fico estafada nesses processos mentais e criativos, me consomem de verdade. De qualquer forma vou fazendo as coisas informalmente, muito pelas beiradas e só pelas beiradas - parece que o mingáu está sempre quente!
Outras duas coisas que eu adimiro são a matemática, que pra mim tem uma lógica muito louca. Até por eu ter medo dela e não a conhecer quase nada e achar que é muito exata (pra mim as coisas não são nada exatas, não tem como. Minha natureza é um tanto relativizadora, acredito em tudo e em nada ao mesmo tempo). A outra é mais uma técnica, que acho adimirável, e que, pra se fazer bem, é preciso uma puta sensibilidade e dedicação, eu imagino - que é cabeleireiro (que nome mais doido). Tenho um sonho de ser cabeleireira, saca? Trabalhar num salão, ter um salão. Pintar, cortar, pentear cabelos. É muito lindo isso. E fechar o salão e viver a vida, entende? E no outro dia abrir meu salãozinho, tranqüila e pá; e tal e coisa, e coisa e tal. E chorar, e sorrir, e amar, e poder ser bem comum. É tão poético pra mim. Daí poderia viajar nessas outras coisas sem tanta exigência da "ciência", sem tanta exigência de mim mesma, pô. Ninguém exige que um cabeleireiro, bom ou medíocre, seja um gênio feito Kant, Gandhi, feito Jung. Então ele pode até chegar a ser, saca? Isso não é loucura. Isso seria uma grande realização. Eu quero ser simples, velho. Isso é um desabafo...
Postado por Babe Lavenère Bastos
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24.10.03
Fragmentos desconexos quase conexos.
Essa inspiração esperada tá me dando um bolo todos os dias. Foda-se! Tanto se me dá - ela que fique onde está, em algum recanto obscuro do mundo (in) sensível ou (in) inteligível. E, às vezes, quando ela vem, afinal, parece até despedida... eu hein. Que porcaria o que escrevo! E para não sofrer de tédio escrevo. No papel da minha vida com a caneta dos meus pensamentos e a tinta dos meus sentimentos. Gosto quando o papel pensa ou a caneta ou a tinta ou a minha mão somente. Quando pensa a minha mente ela pensa demais e fica cheia de coisas pensadas demais como se o coração não estivesse lá. Queria escrever uma palavra solta que nela estivessem todos os sentidos do mundo. Está tudo certo; tirando o que está errado... Estou feliz para sempre desde que nascí. Só algumas dúvidas para que o ser esteja vivo. De vez em quando penso que estou enlouquecendo verdadeiramente, ou então que estou ficando sã de uma vez. Outro dia pensei que ia enlouquecer de vez e não poderia mais administrar minhas maluquices e que, se isso acontecece, iria me tornar um daqueles que não dizem nada com nada e se riem de coisa que ninguém entende. Daqueles que andam pela rua indo a lugar nenhum, que tomam o primeiro ônibus e descem onde nada se tem a fazer com aquele ar de quem vai para um compromisso importantíssimo e de repente pega o próximo ônibus pra qualquer lugar. Sentí que a qualquer momento o sentido da vida se perderia e que nunca mais o encontraria novamente - qualquer sentido que fosse, qualquer um. Que seja o de viver um dia após o outro por que se tem que viver ou o de contribuir para um mundo melhor. Tudo se perderia. Quase aconteceu.
Porque nada faz sentido e tudo está impregnado de significado?
Postado por Babe Lavenère Bastos
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14.10.03
"palavra quando acesa não queima em vão".
Tou aqui sentada à mesa a escrever e está ali um livro do Saramago, muito escrito. Tem um outro perto, e outro, um montão de livros cheios de tudo escrito. Letras, palavras, pontuação, acentos, sinais, linhas, parágrafos, capítulos, e idéias. Mas ao mesmo tempo aquilo tudo está na minha cabeça, mesmo que, alguns, eu ainda não os tenha lido. Quase todas as palavras que estão ali eu sei o significado. Tem outras, poucas, que eu conheço o som e a ortografia mas não sei qual o significado e outras que eu não sei nada sobre elas, mas essas são pouquíssimas (desde que que sejam em português...). Quando leio, leio o que está na minha cabeça. Palavras que já conheço, numa equação que ainda não tinha visto. São palavras combinadas. Equações. Outros, que não eles, poderiam ter feito essas combinações de palavras. Quando leio uma palavra, a leio dentro de mim. O processo também é meu (hehehe, pensei n'O Processo, do Kafka - O Processo também é meu, O Processo também é meu!!).
As palavras têm um significado comum a todas as pessoas, e outros que são significados íntimos de cada um que as conhece. Uma conotação pessoal e quase intransferível. Pois se cada um tem uma experiência de vida e aprendizagem diferentes, por mais parecidas que sejam estas com as de outra pessoa; mesmo que sejam irmãos; gêmeos, que sejam; mesmo tempo, mesmo lugar; pai e mãe, os mesmos; tios, primos, irmãos; casa; cidade; músicas e tudo o mais. Mesmo assim, é tudo diferente, não só pelo simples fato de dois corpos não ocuparem o mesmo lugar no espaço, isso é o mínimo e é verdade, pelo menos comunmente (eu hein, como é que se escreve isso?). Mas deixe-me pensar nesse mínimo. Penso. Alguém está ao meu lado, grudado em mim, assistindo à mesma situação, mas, assim como os dois olhos de uma mesma pessoa não vêem a mesma imagem, exceto numa distância ideal e única, duas pessoas não vivenciam as mesmas situações de uma só maneira. Tudo é muito pessoal, apesar de sentirmos identificações impressionantes com os sentimentos e as idéias dos outros.
Mas voltando às palavras. Quando as leio escritas por outra pessoa, ao mesmo tempo em que estou sendo "guiada" por quem escreveu, estou construindo aquilo com as palavras, idéias, os conceitos que moram dentro de mim. Aquela coisa que leio precisa encontrar as idéias dentro de mim, pois ali só existem palavras, que são desenhos, contraste entre luz e sombra. Que validade como texto elas teriam se não existissem dentro de nós aquelas idéias? São ondas, são feito ondas luminosas, sonoras, etc. São ondas somente. A informação não está lá. Está na cabeça de quem pensou e diretamente na minha, em mim, que leio. Que veículo elas são! Palavras não significam nada. Mas o que seria de mim sem essas coisas insignificantes e sem sentido intrínseco algum? Dependo muito mais delas, eu, que tenho idéias, que sou viva, que tenho sentimentos, que me locomovo, do que elas de mim. Elas sem mim, tenho certeza de que não mudariam nada e também que não se sentiriam piores ou melhores. Nem se dariam ao trabalho de sentir, porquê isso não é do feitio delas. As palavras não sentem nada e não estão nem aí pra isso. Palavras sem coração!
Todas as coisas são obras abertas. Palavra lida é outra pessoa pensando com a minha cabeça; pois o que leio é uma combinação de palavras feita por outra pessoa que pensava. A minha interferência, minhas conotações íntimas de cada palavra modifica um pouco ou muito o pensamento de quem escreveu, e, assim, como quando leio estou pensando com a mente de outra pessoa, da mesma maneira esta outra pessoa está pensando com a minha... ela está pensando o que escreveu com a minha interferência. Estamos sendo sinérgicos. Eu e o Fábio Catelli, o Cartesiano, eu e a Maiza, o Moreno, a Death, eu e o F. Pessoa, Clarice Lispector, eu e Stanley Kubrik também, ora, porque todas as coisas são textos que lemos. Um filme, um quadro, uma cadeira, as palavras ditas em voz alta também. A todas as coisas respondemos com idéias, conceitos, representados por palavras.
Todos pensam o tempo todo com mentes alheias... E assim, o tempo quase não existe. Platão. Há quanto tempo escreveu Platão? As palavras dele estão hoje ainda aqui e nós o lemos e ele pensa na nossa mente e nós na dele. Com a intereferência de tradutores... Tradutores: não façam o seu ofício como se estivessem displicentemente fritando bolinhos! Pensem que quero pensar com Dostoiéviski em paz e sem tantas interferências!
Está todo o mundo de ontem, de hoje, e de amanhã pensando ao mesmo tempo e junto. O que digo e escrevo, o que desenho e o que dizem, escrevem, pintam e constroem é influenciado por diversas pessoas desde o nascimento ou desde o ventre materno...
(...) "Pensar no sentido íntimo das coisas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à agua das fontes.
O único sentido íntimo das coisas
É elas não terem sentido íntimo nenhum". (...)
Postado por Babe Lavenère Bastos
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10.10.03
Arthur Menino
Jacaré, pequeno, besourinho meu,
igual feitiço não existe assim,
que brincam lindas no rostinho seu,
duas pintinhas negras de cetim.
Me acho leve nesse encanto, eu
na força dos seus olhos, querubim.
Quando te vejo, espelho, espelho meu,
minha alma toda é feito um jardim.
Tanto te amo, rapazinho, sente?
E ter você me deixa tão contente
e tão feliz e tão apaixonada.
Que quer mamãe dizer com tanto verso?
Que nosso amor maior que o universo
é nossa jóia bem guardada...
Postado por Babe Lavenère Bastos
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