26.12.03
Essa Galeria - três versões de uma corista, mantra de mim, pista de dança e uma paixão sem nome - tudo original do Cabaré Candango em diferentes datas e todos feitos por mim mesma;).
Postado por Babe Lavenère Bastos
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Pedaço de conversa ouvida em mesa do cabaré:
- É verdade. Se eu pensar no mundo como criação de alguém, julgo-o imperfeito. Se for obra do acaso, o considero incrível e coeso. Se penso que ele sempre existiu, não teve começo e nem vai ter fim, me tranqüilizo.
- Sei o que quer dizer. Porque se alguém o criou, sei lá, um deus, assim nessa nossa concepção de criação, essa que podemos vislumbrar, então esse deus é um humano e, como tal, não usa toda a sua potencialidade, não pode pensar em tudo. E deixa falhas, coisas que não foram pensadas, criadas propositadamente. Um projeto tem sempre que estar sendo aperfeiçoado. Seleção natural... e isso é mais na base do erro e do acerto, sem um raciocínio como o nosso. A Natureza tem um outro tipo de consciência. Gaia...
- A vida pode deixar de existir, mas as coisas se transformam em outras. Não importa uma que sumiu aqui e outra que surgiu ali. Sempre existe algo. A energia é perpétua, mesmo que não seja sempre igual. A transmutação dela, de certa forma, continua sendo ela.
- É. Não me importo muito com essa história de porque estamos aqui, de onde viemos, pra onde vamos, quando, etc. Se algo morre, a energia que o animava é transferida para outras coisas, sabe? É como pensar que quando estamos sob a terra viramos nutrientes para algum outro tipo de vida ou vários ao mesmo tempo; então estaremos vivos ali. Ali: nossa nova "encarnação".
- Olha só, fico pensando nessas nossas criações e mitos de criação. Adão e Eva, essas coisas. Pode ser bobagem, mas eu penso nisso. O grande problema pra mim é ver o mundo com criadores pensantes, com intencionalidade. Não posso imaginar um deus tão imperfeito, entende? Se é deus não pode ser... prefiro que ele não exista. Pô, porque alguém onipotente, que poderia criar qualquer coisa cria o sofrimento, ou o fruto proibido? Esse deus tem mais semelhanças com um diabo.
- É isso... prefiro pensar que sou uma partícula no universo imenso, como tantas outras, sem hierarquias, entende? Somos ínfimos em relação ao sol, ou a uma galáxia, ou a uma baleia; mas somos formados da mesma coisa e tudo tem a mesma importância e isso não nos faz tão grandes e nem tão pequenos no sentido de alguma relevância no existir. Sei que o mundo não vai parar porque eu ou você ou a humanidade inteira deixaremos de existir, mas, de alguma forma, muda alguma coisa. Quando uma estrela explode a milhões de anos luz daqui, mesmo sem que saibamos, o universo todo muda um pouco ou muito, porque tá tudo em contato...
- Arrã. Nós estamos em contato com o ar que está em contato com a terra que está envolvida num sistema gravitacional com diversos planetas e o sol e estes com outros sistemas e nunca pára, até o infinito. Fazemos parte da plenitude, assim como uma pequena borboleta ou um grão de areia.
- Quer mais vinho?
- Um pouco. Essa história de intencionalidade acaba sendo meio burra. As coisas são dinâmicas por suas relações e tudo se transforma movido por uma totalidade. Essa é uma sabedoria mais plausível...
- Precisamos planejar as coisas porque nossa essência é meio esta. Mas isso não quer dizer que tudo no mundo seja afetado por essa mesma lógica. É um mimetismo sem fim, isto. Acabamos pensando que todas as coisas são à nossa semelhança.
- E, se o universo é infinito, o tamanho de qualquer coisa não é tão importante, bem, importância não é palavra certa, o tamanho não é fator de hierarquias mesmo, como você falou. É infinito no macro - não tem limites - e no micro: não existe um tamanho mínimo, entende? Existe sempre algo menor e menor também, menor que a menor partícula já conhecida. Porque, se não, ele já não é infinito.
- Mas isso é uma controvérsia danada... Porque também temos uma compreensão limitada das coisas. Eu, por exemplo, enlouqueço quando meu irmão me diz que o universo pode ser infinito e ter uma forma, porque, pra mim, forma implica em limites; e também quando ele diz que ele pode ser finito; e eu pergunto mas então o que vem depois? E ele diz: nada! Como nada? Se ele é finito tem que haver algo depois, sabe? Mas ele diz que não, que pode somente existir o universo finito e pronto, o resto não é resto, não é o nada - simplesmente não existe...
Postado por Babe Lavenère Bastos
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20.12.03
Olá, olá, olá....
Estou de partida amanhã pra Fpolis. Pra morrer de calor e mar, pra sentir o sol na pele toda, pra colocar meu corpo em outro meio, ter outras sensações - dentro d'água, ai... a água! Oferecer coisas diferentes para os meus sentidos. Desejem-me boa viagem:D
Se eu não falar com alguns de vocês até lá: desejo-lhes boas farras!
Beijos em todos!!! E um especial para o meu cavalheiro.
Até Fpolis...
Postado por Babe Lavenère Bastos
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16.12.03
Sempre que a encontro
ela instala em mim um novo cinema.
Revê-la é como rever
um daqueles filmes de alegria e emoção
que acenderam minha infância.
Não sei quando ela sai de casa
nem quando entra na sala escura.
Nem mesmo sei se ela vai ao cinema.
Tudo que conheço é o sorriso
a cálida voz de menina
que agora retoma nosso breve diálogo.
No filme somos apenas figurantes.
Tudo que conheço é o olhar
que rasga a treva e alivia a dor.
Com um toque de beleza e ternura
muito pra lá de Truffaut.
Enfim ela passa na medida certa
para criar luz e movimento e cor.
Depois se afasta e se dispersa
na atmosfera cinza da vida real
(essa imensa sala de espera).
E eu que ando cansado de fotogramas
recupero um clássico perdido no incêndio
editando as imagens da trilha onde ela anda.
(Eudoro Augusto - Babe vai ao cinema)
Postado por Babe Lavenère Bastos
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15.12.03
Postado por Babe Lavenère Bastos
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8.12.03
Mas repare! O Desobjeto saiu aí:

Um pouco mais objetificado agora...
Obrigada;)
Postado por Babe Lavenère Bastos
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5.12.03
À Guisa de Devaneio
No aurélio existem 4 definições pra sedução. Quase todas exprimem atos vís, mas tem uma que quase se encaixa naquilo que sedução significa pra mim: 3. Atração, encanto, fascínio. Ele leu pra mim, o Daniel, de lá do outro lado do país, e leu também: seduzir. 4. Atrair, encantar, fascinar, deslumbrar. Mas no meio destas definições, as outras são tristes, infames. Conversando com ele, depois de ter lembrado desses significados ruins até só na idéia, o outro significado, que me parecia aproximado daquilo que eu penso, me pareceu algo igual aos outros. Me soou como coisa falsa, engodo, mentira - no mometo seguinte ao encantamento o feitiço evapora e dá lugar ao desengano.
É que eu pensava mais nas delícias da atração, de olhares de cumplicidade, de movimentos sutís, de encantamento mesmo. E agora? É necessário prolongá-la até o fim, a sedução, pra que seja sempre aprazível, ou antecipar o fim e não chegar ao desencanto, como com um canto de sereia?
O canto da sereia. Ela canta enfeitiçando um homem e, reza a lenda que, depois do amor, ele se afoga, pois já está tão no fundo d'água e em tamanho enlevo que não pode vir à tona. Antes, ele vive um delírio inigualável nos braços da mítica e maravilhosa mulher - só depois se afoga, em meio a tantos e extasiantes sentimentos, que não sente faltar-lhe o ar.
Seduzir e ser seduzido pode ser falso. Mas também pode ser mais que uma doce ilusão - como no instante em que o homem sedento, desidratado, perdido em quilômetros de áridas dunas, se depara com a visão de um oásis. Não importa, naquele instante, se é miragem, se seus sentidos o enganam - importam as cores aquáticas de uma lagoa, as verdejantes palhas de uma tamareira agitando-se à brisa fresca e aquela sombra impassível que projeta na relva macia. Aquele instante de vislumbre do maior conforto que jamais sonhara nos seus delírios de homem perdido talvez seja o maior regozijo do mundo. Talvez não importe haver oásis de fato, porque no próximo momento, com ou sem ele, o homem falecerá de sede, pois já está morrendo e não há tempo. Mas ele viu aquela imagem. Viu aquela linda imagem e todas as coisas que ele finalmente saciaria naquele lugar; mesmo sem chegar a fazê-lo sentiu como se o tivesse. Ele sorriu e se arrastou até um pouco mais à frente. Morreu sonhando com o silvo do vento leve e com o cheiro que sentiu de coisa úmida e sem saber que era miragem porque não tinha energias pra ir adiante, porque já considerava ter encontrado muito mais do que poderia imaginar.
Sem tantos extremos, esse enlevo existe e, a morte é simbólica. O "morrer de amor" - ir à falência por não resistir à força de um sentimento que não cabe mais só no íntimo? Sucumbir à grandeza de um desejo de misturar-se que não pode ser realizado neste mundo? Talvez, ser seduzido e não chegar ao fim, à essa morte, nunca à esse amor de afogamento. Ou ser seduzido pra sempre e se achar alguém na perene visão de um oásis, a estar sempre morrendo, maravilhosamente morrendo.
(Essa viagem nasceu das conversas intrigantes no messenger com o Gaudério, com quem felizmente "esbarrei" ao passear pela rede.)
Postado por Babe Lavenère Bastos
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2.12.03
Despedaçado
Um estado de espírito em que todas as conjunções de palavras significam a mesma coisa? Eu ouço tanta música que toca pra todos, no restaurante, no carro ao lado, em qualquer lugar, e parece que é pra mim, porque entendo tanto tanto aquilo que ela diz; ou então, vejo algum filme e ele me toca profundamente e me diz coisas que pareceram sair de mim, do que sinto, do que vejo, do que desejo. Leio os escritos nos blogs alheios e tantos parecem ter sido pensados por mim. Será que todas as pessoas falam da mesma coisa? Será que todo mundo quer dizer amor, paixão, encontro, medo, solidão? Todos falam a mesma língua, todos observam nas coisas os mesmos sentidos ou eu que procuro nas coisas o que preciso ver. Vejo aquilo que procuro, vejo aquela minha verdade, vejo a mim mesma. Egocêntrica...
Ele sorriu nos olhos dela e, sem palavras, Contou-lhe o segredo do mundo.
A manhã se abriu com brisas e pássaros à janela e um girassol sonhado. Foi assim.
(Ou então) tem a raiva que embrulho pra presente, volta e meia, pra algum desavisado que me esbarre em dia de TPM (vez em quando ela vem que vem)...
Esses dias eu lí na parede de um dos prédios lá da UnB: "Rebelem-se, seus vermes!" Me sentí o próprio verme, reduzida a rastejar na rampa em que subia, com a raiva embrulhada pra presente sem que fosse suficiente pra tal rebeldia tão tirana, nos meus diazinhos mais que cotidianos. Ora, o que lí alí que não fosse cousa íntima? Reticências.
Postado por Babe Lavenère Bastos
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