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objeto Fragmentos de coisa sentida, vista ou pensada.

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23.4.04

Eu perguntava: quando sentia isso? quando eu morro? quando foi que eu morrí pela primeira vez? foi quando ele me disse que não era ele. morro quando a luz se acende e as mariposas escapam pra dentro pelo buraco na parede que ele chama de janela. e o que ele dizia? porque sua voz era tão fria? a única coisa que entendí é que ele viu uma mariposa e que ela voava incessantemente. tinha uma caixa com flores verdes no chão, no canto da parede vazia do meu quarto. três vezes ele falou da mariposa, que ela esvoaçava e que era agoniante porque esse esvoaçar parecia com gestos, o resto que ele falava, falava, eu não entendia. então já não era ele, era só uma mariposa voando com seus gestos que eu não conseguia entender. olhei pras flores, peguei uma e coloquei no bolso, toda amassada, olhava a mariposa e não me lembro mais de nada.

Postado por Babe Lavenère Bastos

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20.4.04

Ordenhando Pedras

De onde você pensa que não vai sair nada - daí mesmo é que não sai porra nenhuma.

(ditado de minha mãe)

Postado por Babe Lavenère Bastos

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Se o nos que nos consome fosse apenas fome cantaria o pão
Como o que sugere a fome para quem come
Como o que sugere a fala para quem cala
Como o que sugere a tinta para quem pinta
Como o que sugere a cama para quem ama...

Palavra quando acesa não queima em vão
Deixo a beleza posta em seu carvão
E se não lhe atinge como uma espada,
Peço, não me condene, oh, minha amada!
Pois as palavras foram pra tí amada!
pra ti amada, oh, pra tí amada!

Palavra quando acesa não queima em vão
Deixo a beleza posta em seu carvão
E se não lhe atinge como uma espada,
Peço, não me condene, oh, minha amada!
Pois as palavras foram pra tí, amada, pra tí, amada...


Fui na Musical center (sebo) com o FC ontem e ganhei um vinil que procurava com essa música (citada aí no ultimo post). Ganhei também outro disco, um compacto, com "Lovin' you" (M. Riperton - R. Rudolph), linda, linda e antiga, antiga. FC, sempre com presentes perfeitos:D

Postado por Babe Lavenère Bastos

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15.4.04

Revisitando - texto velho, já postado.... mas aproveito o ensejo pra postar novamente enquanto seu lobo não vem.


"palavra quando acesa, não queima em vão".

Tou aqui sentada à mesa a escrever e está ali um livro do Saramago, muito escrito. Tem um outro perto, e outro, um montão de livros cheios de tudo escrito. Letras, palavras, pontuação, acentos, sinais, linhas, parágrafos, capítulos, e idéias. Mas ao mesmo tempo aquilo tudo está na minha cabeça, mesmo que eu ainda não os tenha lido. De quase todas as palavras que estão ali eu sei o significado. Tem outras, poucas, das quais eu conheço o som e a ortografia mas não sei qual o significado, e outras que eu não sei nada a respeito, mas essas são pouquíssimas (contanto que seja português).

Quando leio, leio o que está na minha cabeça. Palavras que já conheço, numa equação que ainda não tinha visto. São palavras combinadas. Equações. Outros, que não eles, poderiam ter feito essas combinações de palavras. Quando leio uma palavra, a leio dentro de mim. O processo também é meu. As palavras têm um significado comum a todas as pessoas, e outros que são significados íntimos de cada um que as conhece. Uma conotação pessoal e quase intransferível. Pois se cada um tem uma experiência de vida e aprendizagem diferente, por mais parecida que seja esta com a de outra pessoa; mesmo que sejam irmãos; gêmeos, que sejam; mesmo tempo, mesmo lugar, pai e mãe, os mesmos; tios; primos irmãos; casa; cidade; músicas e tudo o mais. Mesmo assim, é tudo diferente, não só pelo simples fato de dois corpos não ocuparem o mesmo lugar no espaço, isso é o mínimo e é verdade, pelo menos comunmente.

Mas deixe-me pensar nesse mínimo. Penso. Alguém está ao meu lado, grudado em mim, assistindo à mesma situação, mas, assim como os dois olhos de uma mesma pessoa não vêem a mesma imagem, exceto numa distância ideal e única, duas pessoas não vivenciam as mesmas situações de uma só maneira. Tudo é muito pessoal, apesar de sentirmos identificações impressionantes com os sentimentos e as idéias dos outros.

Voltando às palavras. Quando as leio escritas por outra pessoa, ao mesmo tempo em que estou sendo "guiada" por quem escreveu, estou construindo aquilo com as palavras, idéias, os conceitos que moram dentro de mim. Aquela coisa que leio precisa encontrar as idéias dentro de mim, pois ali só existem palavras, que são desenhos, contraste entre luz e sombra. Que validade como texto elas teriam se não existissem dentro de nós aquelas idéias? São ondas, são feito ondas luminosas, sonoras, etc. São ondas somente. A informação não está lá. Está na cabeça de quem pensou e diretamente na minha, em mim, que leio. Que veículo elas são!

Palavras não significam nada. Mas o que seria de mim sem essas coisas insignificantes e sem sentido intrínseco algum? Dependo muito mais delas, eu, que tenho idéias, que sou viva, que tenho sentimentos, que me locomovo, do que elas de mim. Elas sem mim, tenho certeza de que não mudariam nada e também que não se sentiriam piores ou melhores. Nem se dariam ao trabalho de sentir, porquê isso não é do feitio delas. As palavras não sentem nada e não estão nem aí pra isso. Palavras sem coração!

Palavra lida é outra pessoa pensando com a minha cabeça; pois o que leio é uma combinação de palavras feita por outra pessoa que pensava. A minha interferência, minhas conotações íntimas de cada palavra modifica um pouco ou muito o pensamento de quem escreveu, e, assim, como quando leio estou pensando com a mente de outra pessoa, da mesma maneira esta outra pessoa está pensando com a minha - ela está pensando o que escreveu com a minha interferência. Estamos sendo sinérgicos. Eu e o Fábio Catelli, o Cartesiano, eu e a Maiza, o Moreno, a Death, eu e o F. Pessoa, Clarice Lispector, eu e Stanley Kubrik também, ora, porque todas as coisas são textos que lemos. Um filme, um quadro, uma cadeira, as palavras ditas em voz alta também. A todas as coisas respondemos com idéias, conceitos, representados por palavras.

Todos pensam o tempo todo com mentes alheias... E assim, o tempo quase não existe. Platão. Há quanto tempo escreveu Platão? As palavras dele (ou as palavras que atribuímos a ele, não importa) estão hoje ainda aqui e nós o lemos e ele pensa na nossa mente e nós na dele. Com a intereferência de tradutores. Tradutores: não façam o seu ofício como se estivessem displicentemente fritando bolinhos! Pensem que quero pensar com Dostoieviski em paz e sem tantas interferências!

Está todo o mundo de ontem, de hoje, e de amanhã pensando ao mesmo tempo e junto. O que digo e escrevo, o que desenho e o que dizem, escrevem, pintam e constroem é influenciado por diversas pessoas desde o nascimento ou desde o ventre materno...


"Pensar no sentido íntimo das coisas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à agua das fontes.

O únicosentido íntimo das coisas
É elas não terem sentido íntimo nenhum".


Créditos aqui: o trecho em aspas no início do post é de uma letra de música do Quinteto Violado e os autores são José Chagas e Fernando Filizola. Confiram a letra e a música que vale muitíssimo a pena (!). E o trecho de poesia no final é de F. Pessoa, (O Guardador de Rebanhos, Poemas de Alberto Caeiro), que dispensa apresentações.

Postado por Babe Lavenère Bastos

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11.4.04

Espalho os livros pela casa, e não os leio senão em partes intercaladas, uns até o fim, outros não. Alguns ficam sobre a mesinha ao lado da cama para que, como que por osmose, quando os não leio mesmo assim os saiba. Outros estão nas prateleiras daquela estante, numa desordem qualquer. Outros estão pela sala, embaixo da mesa de centro, na mesa do computador, na do telefone. Tem aqueles que ocupam o banquinho do piano de minha avó, que já não existe mais (nem o piano, nem minha vó), lá na varanda, meu lugar, meu canto, no mundo. O dicionário perambula pelos cômodos da casa como se tivesse vontade própria. Ele vem atrás de mim. Os livros, eu mexo neles, leio aos pedaços, folheio, mudo de lugar, de modo que eles estão sempre atuais. Sempre fazem algum sentido. Talvez sejam eles que me signifiquem. Eles me escrevem, me folheiam, me mudam de lugar e por isso eu os desejo como a um amante. (Às vezes tenho a sensação exata de que a música é que me ouve, de que a poesia que me lê, de que as pinturas é que me imaginam, de que a estória de amor é que me chora ou rí ou sonha, que o conto de lascívia é que me erotiza, que tudo isso é que me pensa.)

Postado por Babe Lavenère Bastos

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6.4.04


Essa Galeria - Cores Berrantes e Algumas Influências Descaradas




























Postado por Babe Lavenère Bastos

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+ temp. Sussu