24.6.04
Quantodeseudesejocabesónumbeijo?
Postado por Babe Lavenère Bastos
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23.6.04
Ainda são quatro leões.
Um por dia, como matar?
Leões de dentes brancos,
patas largas e olhos de górgona.
Pedra antes de tudo,
quando nem os vejo.
Sei que estão lá, ferozes a me esperar.
Amarelos, cor de folha seca sob o sol,
brilham feito madrepérola.
Estão parados e a ameaça sou eu.
Uma luta desigual?
Talvez, mas quem os ameaça sou eu.
Quem os ameaça sou eu.
Quantos já matei sem sangrar?
Matei como se fossem formigas miúdas na sola dos pés.
Leões que eu mesma criei.
Os alimentei dia a dia,
até carinho lhes dei.
Passei as mãos sobre os seus pêlos
como se fossem estátuas de mármore.
Eles me alimentaram com seu nada,
sua inércia,
leões preguiçosos.
Comida quem dava era eu.
Abrigo quem dava era eu.
Água, noite e dia,
quem dava era eu.
Tenho quatro leões pra matar,
pois que crio outros leões
e não há tanto lugar.
Postado por Babe Lavenère Bastos
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14.6.04
Post de Campo
Resolvi postar algo meio nada a ver, com cara de coisa de diário, de apontamentos de campo, já que meu assunto atual precisa ser tão tirano: onipresente, onisciente. Bom, onipotente eu é que deveria ser, but...
Agora que o tempo urge mais do que nunca e eu me sinto perseguida por ele, eu fico achando que algumas coisas na vida poderiam ter um botão de stand by - logo eu que já critiquei algumas pessoas por reduzirem as suas vidas a uma única atividade, um só assunto, que seja acadêmico, musical, amoroso, sexual, internético, etc e coisa e tal. Neste exato momento sinto inveja dessa capacidade. Tê-la seria uma cura pra minha dispersão teimosa. Mas não vou morrer por isso...
Mas pensar eu fico o tempo todo à respeito do meu objeto, do meu campo, dessa bendita monografia, que eu brincava chamando de monogracinha, mas não ando brincando mais, pelo menos por enquanto, porque ela está sendo um verdadeiro parto.
"Rua das Putas". Estou insegura e não sei se o tempo será suficiente - o que me deixa uma pilha. O que vale é que eu gosto muito do tema, dos assuntos conexos e de toda a aura psicosocioantropológica (ê palavrão lindo!) que o envolve.
O Espaço, o Tempo e a Sociedade, soberanos da Geografia, às vezes me aparecem como umas esfinges indecifráveis que vão me devorando, mas eles me seduzem tanto, a ponto de eu ficar apaixonada. Como é boa essa sensação de criança sempre deslumbrada!
Fico pensando no velho senhor que entrevistei na padaria lá da quadra cujo espaço eu estou estudando. Tão vivido e sabido das coisas, dando o seu depoimento e, ao final das frases, falando: "não é?", " tá certo?", "você que é universitária é quem sabe...". Mal sabe ele que eu não sei de nada e ele é quem sabe tudo, e que é em seu discurso que baseio minhas análises daquele espaço. Acho curiosa essa crença de que os universitários, os acadêmicos e afins são os legítimos portadores da verdade. Grande falácia! Hahahaha! "A curiosidade matou o gato" - esse ditado é muito bom e pertinente... tou aqui pensando em enlouquecer de uma vez.
E a garota-de-programa (de quem não me lembro o nome, mas também se lembrasse não faria muita diferença por que aquele nome que me deu deve ser "de guerra"), essa sim, cheia de si, me passou uma segurança admirável. Ela sabe das coisas e sabe que sabe. Garota engraçada aquela. Garota não, mulher. Fico rindo sozinha das coisas que ela contou e das suas expressões tão espontâneas, tão desmedidas. A outra que estava do lado era mais desconfiada. Só se pronunciou vez ou outra.
Tem o rapaz da padaria, o menino da loja de conveniência do posto de gasolina (muita conveniência que eu nem precisei pagar - ele estava lá trabalhando, respondeu às minhas perguntas sem arreliar - uma jóia).
Será que eles imaginam que são peças-chave para o trabalho daquela moça que lhes tomou pouco mais de uma hora de um de seus dias? Devo escrever um agradecimento a eles.
Puxa, e o rapaz do GAPA - DF? O Gapa me foi indicado por um amigo de meu irmão, por que desenvolve um projeto de conscientização e de prevenção da AIDS e DSTs lá com essas prostitutas que trabalham nessa quadra. Eu telefonei lá, falei com a mulher que o Mauro tinha me indicado e ela, super solícita, me passou o telefone do Marcos, que simplesmente, depois de um dia de trabalho e faculdade, sem nem ter passado em casa desde cedo, veio aqui em casa me buscar (eu e minha amiga Ana, curiosa e companheira), foi até lá com a gente, rodou, rodou, até encontrar alguma garota que ele conhecesse pra que eu pudesse entrevistá-la. Esperou a entrevista e nos deixou em casa. Nunca vi tamanha boa vontade! Respeitável esse rapaz!
Bom, o tempo já vai muito adiantado e como eu não tenho botão de stand by, preciso dispor de um certo esforço pra vestir a camisa de força na minha dispersão.
Quem teve paciência para ler ganha beijos benfazejos e pra quem não teve: beijos também, por que ninguém é obrigado a nada!!! Hehehe.
Adiós, guapos muchachos e muchachas e que no te piquen los mosquitos!
Postado por Babe Lavenère Bastos
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2.6.04
Beijarmos na boca,
como será?
Serei louca?
Serás!
Será na ponte?
Será ao luar?
Será com o sol no horizonte?
Será que vai estalar?
Será na frente do rinoceronte?
Quanto tempo levará?
Será um beijo regado a vinho?
Será com carinho.
Será no caminho?
Depois dali ou daqui,
Será juntinho?
Será com os olhos fechados?
E os lábios,
Entreabertos ou colados?
Como será este beijo?
Que sabor ele terá?
Terá gosto de queijo, só pra poder rimar?
Terá gosto de saliva quente que queima a espinha.
Serás por um instante toda minha!
Todo o verbo em língua e olhos pequenos,
Será sereno?
Extra-terreno?
Ameno? Não,
Terá paixão, veneno,
Que mata de amor,
Deleita e vira flor
Aberta ,
Refaz a cena e espera a hora certa,
E acerta!
Beijarmos na boca,
Como será?
Serei louca?
Serás!
Postado por Babe Lavenère Bastos
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