Des

objeto Fragmentos de coisa sentida, vista ou pensada.

desobjeto@hotmail.com

Lula é Muitos!!

Visitados
A Vingança de Prometeu
Blog do Meu Filhote
Blogaarder
Casa do Campo da Cabral
Chatices Existenciais
Diálogos Soltos
Diário Ensimesmado
Diário do OVNI
Digressiva Maria
Engolimos a Bolinha do Mouse
Eu, Cartesiano
Extazen
Feira do Sonho
Felicitous Ambiguity
Fotopalavra
Gardenslady
Mundo Próprio
Número Cinco
O Mundo dos Sonhos
Paralelos
Pensatório
Polifonia
Sabedoria da Mentira
Senso Incomum
Sete Ofícios
Teoria do Conceito
Umbigo do Sonho
Ventos Alísios

Posto também no
Cabaré Candango

Textos Anteriores






30.9.04

Quadro, livro, mesa, música, roupa, memória, futuro, "o espaço é a acumulação desigual de tempos". Eu sou um ajuntamento desigual de estações. Aquele garoto de três anos que vai lá longe numa rua qualquer de braços dados com o pai é um amontoamento de tempos. Prédio, árvore, carroça, via, cachorro, coisas, tempo materializado, idades aglomeradas. O tempo não há originalmente? Artificialidades não deixam de ser concretas ou existentes. Inventa-se o tempo e ele se torna em coisas e seres. É como brincar de ovo e galinha e é um paradoxo. Se o tempo se torna seres e coisas, ele veio primeiro; se as gentes inventaram o tempo, elas vieram primeiro; se o tempo não existe por si, ele não pode ter vindo primeiro (?). Quem disse que ele não existe? É muito razoável que as coisas não tenham tido um começo, ou que esse começo não seja visivel ou adequado. Pouco importa o começo: estão aí. Que utilidade tem isso? As coisas não precisam ter conveniência nem proveito. E "coisa" é uma palavra que tem muita serventia. Se tudo já foi dito, falemos novamente, ou não.

Postado por Babe Lavenère Bastos

Comentários:





25.9.04

Acontece

Ela não o queria mais. Aparentemente não o queria mais. Isso acontece. Nem beijá-lo, nem lhe dar algumas horas de estar-junto. Estava confusa, e lhe dissera isso da última vez, enquanto ele, que antes a tinha apenas como uma diversão boa, uma amiga especial, já estava enredado num interesse maior pelos seus beijos, pela sua companhia. A gente se acostuma com o outro e quando vê não quer mais viver sem ele. Pois ela não o queria mais e ele não sabia o porquê. Talvez não existisse um porquê. Às vezes as coisas acontecem sem motivo. O desinteresse pode se instalar sem dar aviso, isso acontece. Então ele soube voltar ao seu lugar, soube respeitar o não-querer, soube dizer que queria beijos e quando ela recusou contando de sua confusão, ele também soube dizer que tudo estava bem, que apenas um beijo não queria - que foi o que ela deu como resposta quando ele disse que ficaria com ela durante toda a noite. E ainda assim, deu-lhe um beijo e foi estar com os amigos. Ele se despediu dela pouco depois com um leve beijo na face. Ela lá com um moço conversando, um moço muito próximo de seu rosto. Interesse mútuo, via-se.

Depois daí ele voltou ao seu estar-sozinho, sem morrer, apenas se perguntando algumas vezes que tipo de desencanto acontecera. Um dia eles se encontraram como em outros e ele não pediu beijo algum, deu-lhe um beijo carinhoso na bochecha, um "tudo bem?" E seguiu o percurso que fazia. Uma passagem, um cumprimento, um sorriso bom, nada mais, ela de passagem, ela meio de costas, sorriu e também prosseguiu. Espaços mentais e físicos precisam ser respeitados. Era uma convicção. Livres então, ambos. E porquê alguns olhares se cruzavam volta e meia, não se sabia. Isso acontece. Ele dançou, ele sorriu, ele brincou com os amigos, ele conversou com estranhos, ele bebeu, ele ficou até tarde. Ela sempre lá, sempre lá. Lá era o lugar dela, nada incomum. Ela lá. Eles pouco se viram. Uma vez ela veio até a roda em que ele conversava, parou, falou alguma coisa, ofereceu um gole de cerveja. Ele, que ficou um tanto sem saber o que fazer, pois parecia haver pairando um algo que não se sabe, aceitou o gole que um terceiro recusara. Esticando o braço, tomou-lhe a lata, bebeu rapidamente e devolveu-lhe, sem olhar nos olhos, que não podia. Foi uma situação ruim. Tomar um gole sem olhar como quem agradece. Tomar um gole de costas. Ele pensou que ela permaneceria ali um tempo e que então poderia falar bobagens engraçadas, deixa-la à vontade na roda, olhar agradecido pelo trago de cerveja. Mas no que ele devolveu a lata, sem olhar, ela saiu. Ele se sentiu um lixo. Como se fosse um grande interesseiro - por um gole de cerveja ordinário - e isso não era verdade, mas o incomodou por dois dias. Além disso, cruzaram olhares. Volta e meia, apenas.

No fim da noite ele beijou Maria, beijou Maria, sua amiga. Mas ele pensou que não queria ter estado aos beijos ali, onde ela veria. Os espaços têm que ser respeitados. Era uma convicção. Convicção traída por descuido. Foi um beijo bom. Só que aquele gole e aquele não olhar já o arrasara por dois dias ali mesmo. Maria ficou só beijo. Quando uma situação não é inteira, ela quase não é. Então, Maria ligou no outro dia. Linda Maria. Um doce. Uma pessoa bonita em todos os sentidos. Mas ele não a viu. Não estava completo com ela desde o dia do primeiro beijo. Um segundo, talvez, só depois de muito tempo. Há que se respeitar o espaço mental das pessoas, além do espaço físico. Não co-incidiu o tempo de cada um nessa história. Isso acontece.

Postado por Babe Lavenère Bastos

Comentários:





21.9.04

Anacrônica

Queria ser uma mulher moderna (pós-), começo-de-século, saca? É, assim, uma mulher com mais cores, talvez. Caber em mim, que não caibo. Ando tão enjoada de ser eu e de me encontrar em todos os lugares que vou. Ah, vai! Vai ser outra pessoa! Me erra. Vai procurar sua turma, plantar batatas, pentear macaco, ver se me encontra na esquina - e o pior, é que se for me encontra...

Postado por Babe Lavenère Bastos

Comentários:





18.9.04

Gemei

Porque era você a me embalar os sonhos nas brancas e coloridas nuvens da curiosidade. E é. Olho pelas frestas, finjo não saber, e sei. Finges não saber, e sabe, e sabemos. É tudo fingimento (?). E não somos tolos, e somos. Uma simulação, uma dissimulação, talvez, mas você sabe bem de mim e eu de você. Sabemos do que precisamos. Vãs filosofias, todas, de todos e de nós. Resta coisa que não é vã, não tem sido. Você. Eu. Não tem sido vão o pensamento; não têm sido vãos os diálogos, tantas vezes lindos, outras, fingimentos de não saber. E quem é que sabe? Eu sei: não sei fingir muito bem. Essa é a grande verdade. E tudo está bem. Te adoro. Sabe você, sei eu. Venha cá. Não ligue para a ortografia. Lembre-se da coreografia e seja simples, e se não tiver vontade, seja rebuscado, seja assim, seja assado. Ó timo. O tempo é quando? E é hoje e é amanhã e não é. Tem toda a cidade e o Tempo - Rei.

Postado por Babe Lavenère Bastos

Comentários:






+ temp. Sussu