29.10.04
Ambient
Eu tava voltando da capoeira, com aquelas músicas na cabeça. Toda a empolgação. Vinha cantando. Quando dei por mim, estava no ritmo do limpador do pára-brisa (adoro dirigir na chuva) - ele era a percussão perfeita, na cadência exata. Lindo o som do limpador de pára-brisa!
Postado por Babe Lavenère Bastos
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28.10.04
Aglomerado do (meu) Rumo na parábola do Tempo - Razão e Emoção
Tanta coisa que já passou às vezes parece cena de filme que eu vi há muito tempo e que não me lembro mais exatamente. Acho bonito estabaco, escambáu e estampido, mas gosto muito mesmo é das proparoxítonas. Em frente à televisão às vezes, e ela parecia estar sozinha, porque eu não estava lá, tava vendo através dela, ensimesmada. Meu cérebro tem horas que escorre pelos buracos dos ouvidos. Mudei de opinião. Agora mudei de opinião outra. Não sei sobre que coisa mudei de opinião neste instante. Mãe! Minha boca tá enxergando, meu nariz tá roncando e minha perna tá tonta. Eu sempre quis tanto um jardim de bromélias. Li, certa vez, que todos os sentimentos ruins são disfarces ou faces do medo, e que todos os medos são variações de um só medo - o medo da morte, da aniquilação. Saudade é paroxítona, mas eu gosto. Da palavra e, um pouco quase nunca e umas vezes tanto, do sentimento. Ei, dê cá um abraço, pessoa! Eu não quero vender não. Gosto de morder os lábios. Quando mordo os lábios sinto gosto de gente. Sou de todos os signos. Pisco os olhos pra umedecer minhas lentes. Hoje, o bicho Minstro e a Mocinha do Mato são meus amigos, não são mais aqueles mamaéns terríveis. Guardo uma lágrima, meus olhos bóiam. Olha como a menstruação é bonita, que vermelha! Meu sorriso é morada de minha alma, todos os dias. Cabelo repartido no meio, cheio de saudades. Lembro da saudade que se sente ali do lado do objeto da saudade. A lente quando está seca é ruim pra qualquer literatura. Às vezes me gosto por insistência. Às vezes eu me amo sem me dar conta disso. Às vezes eu confundo o que é sentimento com o que é reação emocional. Minha adolescência copiosa. Ontem, hoje, amanhã, manhã, tarde, noite, madrugada, cedo, meio, tarde, passado, presente, futuro, antes, agora, depois, o que foi, o que é, o que será, antigo, novo, inexistente ainda. Lembra de quando éramos pequenos e contávamos maveriques virados para o vidro de trás da veraneio? Tudo indispensável. Até os deslizes. O quadro só estaria completo com todos os detalhes. Ele é um todo no qual os percalços, aquelas coisas que fogem da simetria desejável das coisas, do espelhamento da coisa idealizada, são tão exatos quanto o gozo. Há música bastante em palavras que são docemente caladas, não ditas. E se foram sonhadas, se ficaram no mundo quimérico, a harmonia de nunca terem sido ditas é a soberana complacência da verdade. Disse a ela que ia fazer uma mentalização e dormi. A memória acerca do que não aconteceu pode tingir de intenso a palavra não pronunciada. Olhar cheio de palavra. Eu gosto tanto de você, besourinho, me perco nessas suas lindas pintas, filho. Cuidado com os meus gerânios! Meus pés gostam de dormir pra fora do cobertor. Não adianta colocar o dedo na cara dela e esbravejar quando ela apronta alguma coisa indesejada, errada, não adianta. Ela precisa de uma mão que a segure, de uma voz que a acalme, de um amigo que a ajude a pensar. Minha criança triste. Sou eu a minha criança triste. Hoje eu fui à lua pela janela da cozinha.
Postado por Babe Lavenère Bastos
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20.10.04
Desfocado
Me lembro de dias sem nome, de cores quase indistintas, sem calafrio, sem aceleração desigual alguma, sem nada, sem nada, sem nada. Mesmo procurando um vermelho sangue, um olhar perturbador, uma flor dramática, nunca encontraria coisa que se sobressaísse. E, em dias como este, olhando em volta à procura, uma hora, cedo ou tarde, invariavelmente, a cadência disforme vence qualquer resistência e já não se pode buscar mais nada. O adjetivo mais expressivo é o monótono. Tudo tem o mesmo tom. Nenhuma variação, nenhuma paixão, nem desespero, nem arroubos trágicos, nem a brisa, ao menos, só uma constância sonolenta, sonolenta, com gosto de café fraco.
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Letargia Minusciosa (queria um nome grego pra isso)
Estou com alguma culpa totalmente interna, antiga.
{É mais fácil escrever sobre sentimentos do que alguma estória aceitável; sobre sentimentos indecifráveis, porque não precisam ser explicados. Assim, pode-se tentar explicá-los com palavras igualmente indecifráveis. Daí, o mais fácil é que se não precisa entendê-los porque são misteriosos e, sua verdade, seu entendimento, é justamente esse - não há lógica de lógica comum, é lógica de cada um. E então entende-se tudo deles, simplesmente: o entendimento é assim, dado, pronto, instantâneo (?), está aí, absorva e sinta o que já é de seus sentidos. O que se escreve ou se fala sobre sentimentos confusos, se lê na própria alma, qualquer um que o leia}.
Estou com alguma culpa totalmente indecifrável, interna, antiga. Indecifrável porque estou com preguiça de ser profunda. Sim. Sonolenta, a fim de me jogar na cama, me enrolar no cobertor e deitar a cabeça em trinta travesseiros. Talvez sonhar com coisas fáceis.
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8.10.04
Trip Hop
É. Essa música. O fluxo dos líquidos do corpo. Bailam. Sobem, descem, vão por entremeios, seguem as curvas dos vasos sangüíneos, das cavidades todas dos tecidos por dentro. O coração bombeia dando ritmo à dança, o contratempo pelos pulmõessinssspira.................... expiiiira....................................... Dorme...... acorda........ E a voz dos sentimentos. Ou os rios, linfa, e os mares, suores, e a convulsão da terra e suas lavas, seu sangue, e os ventos, seu inspirar........... e expirar....................ah..... sem cessar......noite....... dia........... e a voz de todas as coisas. MicromacroGaia.
Postado por Babe Lavenère Bastos
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