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16.12.04




Abaixo, post requentado, de uma data que não me lembro.

Postado por Babe Lavenère Bastos

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La Estrada

Uma estrada sem ninguém. Quem está olhando. Quem imaginou uma pessoa caminhando. Quem seria. Porque não pensou em alguém que vinha? Viu alguém que ia e se afastava do início da estrada. Talvez essa estrada terminasse mesmo no horizonte. Mas quem não pensaria isto. Esta estrada vai a algum lugar. Que lugar é este? O mundo. Não interessa que lugar específico porque, adiante e para trás, sempre estará lá a estrada. Primeiro vem um lugar, depois outro, depois outro... Mas quem imaginou que talvez parasse no primeiro lugar que chegasse e viveria ali durante toda a vida, feliz, e olhando a estrada, de vez em quando, e um horizonte diferente de um lado e do outro. Se vivesse num mesmo lugar a vida toda, no primeiro lugar que chegasse, quem poderia ser feliz. Mas, quem sabe, viajaria sem fim ao longo dessa estrada. Se quem parasse no primeiro ou no segundo lugar e assim por diante, ficaria imaginando a que outro lugar a estrada o levaria. Quem se perde no pensamento enquanto vê o horizonte e alguém a caminhar pela estrada. Alguém que ia. Porque não alguém que vinha? Se pegasse o caminho de volta entraria dentro de si mesmo. E a estrada continuaria de lugar em lugar. Quem não imaginou alguém que vinha porque não tinha reparado que a estrada não tem começo nem fim; que assim como não termina no horizonte também não começa onde ele vê. É que ele está de frente para este lado da estrada. Mas pode se virar pra qualquer lado. Quem percebe que ele e o mundo estão em qualquer direção, dentro e fora. Quem gosta do lugar onde está, mas sabe que seguindo a estrada vem outro (e outro, e outro, e outro, e outro...), que pode ser desconhecido ou familiar. Não é definitivo, mesmo que se permaneça nele para sempre. Sempre verá a estrada, e caminhar por ela não é necessariamente com os pés, pode ser também com o pensamento. Quem poderia imaginar.

Postado por Babe Lavenère Bastos

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6.12.04



Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.

(Fernando Pessoa, que pessoa!)

É, conhecer o outro é também inventá-lo, e inventando o outro nós nos reinventamos. Sejamos criativos!
Para o Cavalheiro de fina estampa que eu inventei um pouco no desenho acima, de quem tanto gosto, a quem tanto quero o bem. Sorte boa pra você, Dan :)

Postado por Babe Lavenère Bastos

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+ temp. Sussu