27.4.05
Eu cansei de tentar (me) entender (.) as mulheres.
Postado por Babe Lavenère Bastos
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10.4.05
Delicadeza, leveza, belezas.
Os Ladrões de Margaridas
Eram homens sem coração os que andavam sorrateiros entre os jardins de margaridas e entre elas retiravam pelas raízes as mais belas.
As margaridas eram levadas para um laboratório secreto subterrâneo e recebiam nos seus talos sem chão substâncias que as faziam crescer muitas vezes o seu tamanho original. Estas substâncias eram seguidas de outras que faziam as pétalas ficarem rígidas e prontas para um ato plástico-cirúrgico.
Eles deixavam quatro, no máximo seis pétalas mortas e gigantes, e em seguida as inseriam juntamente com o centro oco do que antes era uma margarida nos mecanismos que já estavam à espera na linha de montagem. Depois dos testes de qualidade as pétalas modificadas e maquinizadas eram encaixotadas e vendidas a bom preço tendo a função de ventilar ambientes.
Algumas pessoas chegavam a comprar as suas próprias margaridas que haviam sido roubadas. As margaridas, que antes eram belas, agora observavam de forma rígida, enjaulada e mortiça o criador que um dia teve por elas cuidado e apreço. No meu quarto existe uma que não sei de qual campo veio e que agora é branca e cheira a óleo de máquina.
Antes dos ladrões existirem, elas eram apenas retiradas para serem adotadas por alguém querido, e não se importavam com a aceleração do final da sua vida breve porque sabiam que tudo o que é muito belo tem uma vida breve. E mesmo sendo breve, o que é muito belo sempre existe.
Nem sempre os ladrões se davam bem. Havia uma garota que costumava dormir no seu jardim e em uma noite clara de vigília viu um homenzinho de roupas negras se esgueirar entre as suas margaridas, que entre as outras flores eram secretamente as suas mais queridas.
Ela usava um vestido de tecido que se confundia com as flores e com os seus pés branquinhos e descalços chegou leve perto do ladrão. Ela pegou o homenzinho pelo colarinho e lhe desferiu inúmeros tapas na cara, até ouvi-lo chorar. Naquele jardim de margaridas mais amadas do que o comum nenhum deles voltou mais.
Para Babe.
(presente lindo que eu ganhei do querido João)
Postado por Babe Lavenère Bastos
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4.4.05
O silêncio daquele lugar eu nunca mais tive aquele silêncio daquele lugar eu nunca mais tive aquele silêncio. O meu silêncio de aldeã. Silêncio de dentro, de fora. E no espaço sem limite, ir pra todo lugar sem sair do lugar. Noite imensa. Verdadeiramente noite. Eu não me lembro de ter conhecido a noite antes. Silêncio não definido, contemplativo, silêncio que conheci de existir no mundo de repente feito um sopro, só emoçãopensamento, pensamento só. Profundeza. Aquele silêncio daquele lugar eu nunca mais tive.
Postado por Babe Lavenère Bastos
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